domingo, 22 de agosto de 2010

Tangerine




Era tudo colorido. Eu usava flores no cabelo e todos meus amigos também. Sandália de couro, uma saia além dos joelhos, àqueles meus óculos eram tão laranjas, minha visão tão tangerina. Os garotos não trocavam o único par de calças que os restavam. Cabelos de metros, no ritmo do vento. E a gente andava sem direção com a única certeza de que onde a gente estivesse, era ali que a gente devia estar. Havia amores de mãos dadas, amores selvagens, amores amigos, amores apaixonados e amores divididos também. De noite e de dia os nossos corpos flutuavam e os átomos se encontravam, éramos um. Toda aquela galera. O brilho das coisas tornava-se mais forte, a gente sentia o cheiro das cores, a gente ouvia o gosto dos acordes. Era pura sinestesia. O tato se tornava delicado e tudo era interpretado intensamente. Aquelas experiências esotéricas iam além dos nossos corpos. Só nos restava à alma. Os detalhes dos detalhes tinham uma percepção saturada. E bastava a gente acreditar que a gente voava, que asas nós já tínhamos. A fogueira, a música, serenidade. Sentia-me completamente confortável, exatamente no tempo certo, no lugar certo e com as pessoas certas. Eu rimava com todo aquele arco-íris. Por um instante senti meu corpo se movimentar, tentei não me mexer mas era tarde demais, a viagem tinha ticket pra volta, meus olhos abriram, o sonho tinha sido roubado. 'Tangerina, tangerida, reflexão viva de um sonho.'

By: Desirreé

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