domingo, 29 de agosto de 2010

Adalberto Luciano era seu nome. Não sabíamos por que diabos um nome tão brega. Onde já se viu colocar dois nomes fortes um do lado do outro? Coisa feia. Tá okay, o nome dele não tem nada a ver com o conteúdo da história, mas digo que como autora eu fiquei impressionada com a atitude da mãe do Adalberto Luciano com esse nome! Sim, eu também inventei a mãe do Adalberto e o Adalberto também! Mas eita nominho, hein, dona mãe do Adalberto Luciano. Enfim, o caso é que numa certa parte da vida do Adalberto ele só estava tentando arduamente borboletar o estômago pra viver novas aventuras amorosas, sabe?! Pra passar o tempo, pra esquecer as amarguras. Conheceu uma rapariga bem bonitinha. Adalberto a questionava discretamente, assim, como quem não quer nada sobre as artes do mundo. Ela com o copo de cerveja na mão só respondia:
Ela - “Cheiqui, quem?”
Ele – Erh...Shakespeare. Já leu Romeu e Julieta?
Ela já tinha visto o filme ou algo parecido. Ela dizia não saber quem era Morrison não, perguntava se era aquele que tinha morrido afogado com o vômito. Não sabia o que era croissant, quem tinha sido Hitler, “Imagine” era mesmo uma música? Oscar Niemeyer era um velhote de sei lá onde e nunca tinha ouvido falar de Godfather. Ele mudou de assunto. Partiu para o contato físico pra ver se compensava toda aquela falta de saber. A beijou. Ela tinha gosto de transparência, mas ah, era mulher e ele estava pegando! Passaram-se umas semanas eles sempre se encontravam, cada vez mais distantes, no final de cada beijo o silêncio dizia olá. Ele voltou para casa, nunca mais a ligou. Era tudo tão raso, tão superficial.

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