Afinado em lá menor, esse ano foi completamente maluco e fora dos meus planos. Começou com uma tensa onda de vestibular, resultados da pressão de anos anteriores e toda essa coisa. Fui pra São Chico, conheci uns hippies, fiz uns luaus, fugi pras colinas, vi o nascer do sol num morro de cemitério de índios, foi a coisa mais linda. Quando voltei pra Londrina, eu queria fugir, mudar de cidade, mudar de vida completamente. Mas daí fiquei por aqui, achava que a minha vida seria mesmo uma porcaria, comecei a faculdade com todas os ares negativos que se podiam ter. Medo do novo. Escolher o curso mais lindo e compatível comigo foi o melhor que eu fiz. Conheci pessoas maravilhosas, tanta gente de estilo diferente, cada um de um jeito, cada um de um lugar, de um quadrado. Me aproximar de estilos diferentes foi muito bom pra descobrir que estilo não importa, e que na verdade, todo mundo estava na mesma vibe que eu. Depois só foram festas, risadas, amizade, amores de verão em outras estações, carregar os tijolos no braço, ler o vade mecum, tocar violão no bar da tia no fim da aula, descobrir que eu estava no lugar certo com as pessoas certas.
Comecei a trabalhar finalmente, mãe! Criar juízo, aprender que dinheiro não nasce do papai, aprender a contar, a ter controle e responsabilidade enfim. Na rotina do trabalho tinha tudo pra dar errado, aquela coisa de lidar com clientes estressados me assustava muito, mas só depois descobri que meu forte é trabalhar com gente estressada! Eu amo trabalhar com gente estressada e eu não devo ser normal por isso. Conheci muita gente incrível no meu job, pessoas que fazem os meus dias cinzas ficarem coloridos (e isso é bem clichê, vai), muitos amigos de verdade, pessoas que são o que são e deixam você ser quem você realmente é. E não deve ter nada melhor do que isso.
Foi muito show de rock, pirar a cabeça com meus amigos rockeiros, conversar com um bando de desconhecido, virar amiga dos desconhecidos, amigos pra sempre por uma noite, ou até mesmo, pra carregar por muito tempo.
Comprar o ingresso pro U2 nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, São Paulo exageradamente, Curitiba tem más lembranças de mim. Coisas que achei que nunca iria presenciar, show do Hanson, vi o Taylor, meu amor platônico eterno, e meu Deus, agora só falta Rolling Stones e eu morro feliz.
Criei muita cara de pau, descobri sensações novas, pensamentos além do que se vê, filosofias malucas, atitudes ilegais, cometer crimes e toda essa coisa.
Mudei meus planos, mudei meus sentimentos, descobri quem eu sou com as aulas de vida do Keith Richards, me tornei muito mais madura, compreensiva e empática, acho que nunca mais vou me apaixonar, porque paixão é pra quem se engana e eu não consigo mais me enganar. Talvez eu ame alguém um dia. Nesses meus atuais vinte anos (que acabam nos vinte um na semana que vem), me fazem pensar como uma pessoa de quarenta. Já que dizem que eu tenho uns pensamentos de velho. É como diria aquela música do The Verve, que todo mundo conhece não sabe de onde “porque é um doce amargo essa vida...”. Enfim, aconteceu de tudo nesse ano de 2011, não me arrependo de nada. Que venha 2012.
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