quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Speecheless

Nada demais, nada novo. Aliás, nunca é nada novo quando se tem 21 anos a caminho. Era como algum tipo de objeto no último andar da estante da minha casa que eu não conseguia alcançar quando eu tinha cinco anos. Ele era tão simples, tão completo com poucas palavras e com a pouca informação que eu tinha. Aquele ar de garoto mal, aquela cara de quem tinha um ego que nem cabia nele mesmo, o jeito de andar de quem podia derrubar qualquer um pela frente. No físico, nada demais. A não ser pela altura considerável, costas largas, olhar castanho entre aberto e o modo dele sentar-se. O pouco que eu sabia sobre ele eram certas coisas que me admiravam. O Led, o Doors, a finesse cinematográfica, o medo e delírio em Las Vegas, a tatuagem do Che que me traduzia certo saber apreciável, o gosto pelas coisas simples da vida, o jornalismo dele, amizade, aventura sem gastar muito. Por aí nos pubs da cidade, ele de olhar longe, copo de qualquer coisa alcóolica na mão. Eu conversava com qualquer um, sabia puxar papo, fazer os garotos rirem, entrevistar e blá blá blá. Mas você me calava. Me calava sem dizer um piu. Porque diabos você me calava?

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