O início foi num verão entre meus olhos e suas bermudas que eu me perdi.
Tira essa bermuda que eu quero você sério, vamos cantar música de galera, vai.
Daí você mudou para calças e eu ainda continuei perdida.
E é por essas noites, em que o inverno nos faz ligar o ventilador, que você ainda: aqui.
A rebeldia, o psicodelismo, detonar a ignorância, ser livre, o rock'n roll.
E de repente, nós dois, sem mais e nem menos.
Sem palavras, só com olhares e gestos.
Porque é assim que a gente era e sempre foi.
E eu te mandava contar alguma coisa e você Forrest Gump.
Até parece que acreditei em tudo.
Você era ímpar e eu era par, te pedia pra sorrir, porque putaquepariu,
você era de longe garoto mais estiloso de tudo que já vi.
Eu te disse do blues, das minhas influências, dos meus roteiros de longa metragem, eu te contei sobre meus segredos mais ilegais e improcedentes e você concordou. "Porque é isso mesmo, eu também".
Daí você me pedia pra te fascinar e eu te falava do colorido que era ouvir o Morrison.
4 horas da manhã. E daí eu pensei "mas como é que sobrevivemos?".
Vamos filosofar, fazer as horas durarem, porque eu e você tão amantes anônimos,
tão amigos.
Daí já eram 5 horas da manhã, pra te ver ir embora de novo. Te dar tchau.
E aquela coisa de sempre, uma sensação de: que você vai embora pra sempre de novo.
E eu pensando que ia sentir saudades, me atrapalhando toda, enquanto dentro de mim tocava "Baby" na versão da Rita Lee, porque é o que me lembrava você.
Que nó na garganta que você me dava.
E que nó na língua porque eu nunca podia te dizer nada.
E daí só saiu qualquer coisa pobre pra me despedir, um "tchau", ou algo do tipo.
Podia ter sido menos ensaiado, mais sincero, como um: "I wanna hold your hand, and when I touch you I feel happy inside, it's such a feeling that my love, I can't hide",
alguma coisa dos Beatles ainda na década de 60, porque me resumia.
Essa coisa yeah yeah yeah, vestidos e penteados com laquê.
E de repente a música parou,
e eu não conseguia ouvir mais nada,
nem dentro de mim, nem fora,
não quis olhar você indo embora.
Fiquei olhando fixamente pra qualquer outra paisagem
precisando escrever, precisando escrever.
Nenhum comentário:
Postar um comentário