Chega, chega de inventar histórias e personagens, Desirreé. Chega de metaforizar cheiros, sentimentos, gestos. Chega. Talvez tudo isso tenha perdido a graça e meus personagens estão todos picolés-de-chuchu, sem sal e sem açúcar. Ah, é que eles não têm mais emoção já que meus sentimentos andam tão fracos e rasos. Então chega! Não to mais a fim de supervalorizar meus batimentos cardíacos enfeitando eles com paixões, porque na real, eles não passam de batimentos cardíacos, ficarei só com o sistema parassimpático. Não to mais afim de palavras bem colocadas e da magia que a vida é. Vai ficar tudo sem graça? Que fique. Indiferença: incolor, inodora e insípida. Que tal?! Nada no coração a não ser o átrio direito e esquerdo, sangue, veias, aorta, ventrículos e as valvas. Não sei como é que um poema se sustenta de coração vazio, ou só com o átrio direito e esquerdo, sangue, veias, aorta, ventrículos e as valvas. Como é que é?
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Não dá pra criar sentimentos só pra tudo parecer poético. Acho que vou ficar com a vida, doce e amarga. Chega de historinhas coloridas. A vida é isso aí, uma foto preta e branca, mermão. (lá vou eu fazendo metáforas de novo...)
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