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Tanto esforço, tanto tempo que podia ser gasto revendo 'Lost', falando idiotice com gente idiota, dormindo 14 horas por dia, comendo paçoca-de-amendoim (é, pleonasmo é legal), lendo cultura de massa, fofocando de gente chata. Tempo, tempo mano velho, faz um tanto ainda, eu sei. Mas eu estudei, à toa. Eu ainda sou jovem, eu sei... jovem e desiludida com as desilusões do mundo cruel. Ou seria só da Uel? Vontade do ócio. Vontade de estrada pro inferno. Vontade de não ter que provar nada pra ninguém. Vontade de cogumelo. E eu escrevo pra te afogar com os meus distúrbios, minhas paixões, te trago pra minha realidade nem tão pé no chão. E depois chorei minhas lagriminhas bobas pra ninguém. Verdadeiramente, chorei mais pelo tempo perdido. Não é sensibilidade não, amor, é só meu corpo respondendo errado aos estímulos externos. Não choro mais. Fica presa aquela coisa enorme horrível pegajosa dentro do peito da boca dos olhos querendo rebentar, me explodindo por dentro e de repente pára, não extravasa, não ultrapassa mesmo, se detém nos meus sorrisos de falso bem-estar. Sou uma atriz forçada.
Não sou normal. Não me reconheço mais na minha escrita, noto isso quando estou escrevendo. Não sei se mudei, mas quando me leio é como se fosse um dos livros mais estranhos que já vi, é como um autor qualquer a ser descoberto. Quero me ser de novo e não sei como. Perdi-me em alguma das pontas dessa cidade. Jesus! Quero rasgar as influências. Não terminei "Morangos Mofados" porque achei um porre, aliás, meu bem, nem o meu Oscar Wildezinho está me agradando muito. Vou comprar uns gibis da Turma da Mônica, estou precisando de coisas mais fáceis, mais ingênuas, mais pueris.
Como é que eu escrevia? Como é que eu escrevia antes? Antes de Clarice Lispector? Antes de você? Antes de certa maturidade? (?). Antes sonhos reprimidos? Antes de pão-de-queijo? Antes de ser sozinha? Como é que eu escrevia quando ainda acreditava, quando tudo era mais fácil? Como é que eu escrevia antes de ouvir Joplin e Morrison? Como é que eu escrevia antes das noites imensas de pseudo-intelectualismos, dessas relações amarguíssimas pros nossos poucos anos? Quero a inconseqüência de escrever gírias, de falar gíria, como sempre antes. Quero ter papo pra bater com as amigas, quero comprar uma revista colorida rosa falando de moda. Será que a gente cresce assim tão rápido? Num mês, em duas linhas? Num livro? Num amor? Acho que é isso, baby.
Ta tudo errado, brother! Meu ano de vestibular é o ano do povo de exatas. Eu estudei humanas e biológicas. Eu gosto de Rolling Stones e Beatles e nasci nos anos 90! Eu me interesso por pessoas inacessíveis e meu cachorro depois de 9 anos se revela homossexual. Eu não sei nada do meu futuro, ta tudo errado.
“Eu não sou daqui, sou de outro planeta, gosto de cogumelos. Eu não ligo pra nada, só quero cantar, flutuar no universo, ver o mundo de perto, ver a Terra girar” Ventania, eis o filósofo dos perdidos.
Tempo-amigo, seja legal.
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